A entrada do plástico na economia circular é urgente. Afinal, a vida moderna como a conhecemos e usufruímos hoje não seria possível sem o advento e difusão do uso dos materiais plásticos. Porém, criamos outro problema: uma grande quantidade de resíduos.  Como esse material é um dos grandes pilares da nossa sociedade, é preciso pensar em soluções para que esses resíduos sejam destinados corretamente. 

O ciclo de vida linear de produção do plástico há muito tempo tem sido alvo de críticas. O descarte incorreto se tornou um grande problema de poluição ambiental. Precisamos mudar esse comportamento para encontrar saídas melhores e chegar na sustentabilidade.

O plástico na economia circular

Não obstante, o impacto do plástico é, sim, significativo. Apresentada como uma das grandes soluções para resolver o problema, a Economia Circular é um sistema baseado, como o nome diz, na circularidade do uso dos recursos naturais. Ela busca a redução máxima dos resíduos finais. Sua adoção e total estabelecimento vão depender da vontade de todos os participantes da cadeia, desde governos, indústrias, passando por empresas de logística e do terceiro setor até os próprios consumidores.

A implantação dessa circularidade demanda uma série de medidas e quebras de paradigma. Requer que os produtos sejam pensados de forma sustentável, por exemplo, desde sua concepção até uso primário e posterior. A própria ideia de “propriedade” é posta em xeque, com um número cada vez maior de empresas oferecendo bens de uso e consumo “as service”.

A seguir apresentaremos algumas ideias de como fazer a transição para uma Economia Circular em busca de um mundo verdadeiramente sustentável.

Ideias para transição do plástico na economia circular

Governos, empresas e a sociedade civil organizada, cada um à sua maneira, devem contribuir para a implantação de uma economia circular de plásticos. Eis algumas ideias de como tornar isso possível.

Definição de (re)utilização de plásticos de maneira segura

Identificar tipos de plásticos cujo uso é nocivo à saúde e ao ambiente, e mitigar os impactos de sua eliminação. Determinar quais plásticos devem ser eliminados ou substituídos, preparando o mercado (indústrias e consumidores) para uma transição suave para outros materiais.

Buscando fortalecer os pilares do consumo sustentável através dos “3R’s”. A preocupação com higiene e segurança alimentar também deve ser profundamente discutida de modo a fomentar um maior reaproveitamento de embalagens de alimentos e bebidas. Isso tem que resultar em regulamentações mais completas que favoreçam, também, a percepção do público pelo assunto.

Fomentar um mercado próspero de coleta e reciclagem

Para conseguir estabelecer o plástico na economia circular, é preciso investir em instalações eficientes de separação e tratamento de resíduos. Esses investimentos podem – e devem, em um primeiro momento – vir de parcerias público-privadas. Ao regulamentar e incentivar o uso de plástico reciclável, os governos devem também garantir que haja infraestrutura para tornar a reciclagem viável.

Toda a cadeia de reciclagem deve ser sistematizada e potencializada. Processos de coleta e separação padronizados permitem um ganho de escala substancial. Eles possibilitam que materiais reciclados sejam destinados a centros de consumo maiores, por exemplo.

Assim, toda uma gama de empregos pode ser criada e formalizada. Deve-se buscar um sistema mais socialmente e economicamente justo, que favoreça as comunidades de trabalhadores de coleta e reciclagem ainda hoje marginalizadas. Ao institucionalizar a coleta e impulsionar a reciclagem, daremos visibilidade e dignidade a uma multidão que hoje contribui de forma abnegada com a reciclagem.

Para que todo esse sistema de coleta e reciclagem se mantenha de forma social, ambiental e economicamente viável, sua implementação deve ser cuidadosamente pensada para que o círculo virtuoso se feche. Para isso, o uso do plástico reciclável deve se mostrar vantajoso para que a indústria possa adotá-lo em escala na sua cadeia produtiva.

Tornar o plástico reciclado mais competitivo

A maneira que muitos governos têm buscado tornar a indústria de reciclagem do plástico economicamente viável é regulamentar porcentagens de seu uso na composição de novos produtos. Ao fazer isso, procuram forçar indústrias a inovar e adaptar seus parques fabris e produtos para uma economia circular. Em paralelo, é importante tornar os plásticos reciclados mais competitivos, pois à medida que as empresas passam a usá-los em uma escala expressiva, estimulam toda a cadeia logística de recicláveis.

Incentivar projetos de produto e embalagens circulares

Para que plástico na economia circular possa funcionar, produtos novos devem ser concebidos. É essencial manter um uso racional de recursos como energia e água em sua fabricação, e suas embalagens devem ser projetadas de modo que favoreçam sua reutilização e reciclagem, assim como a liberação de microplásticos no meio ambiente seja reduzida ou totalmente eliminada. Redução de emissões de gases do efeito estufa devem ser consideradas também,  pois fazem parte de todo o processo logístico a que esses produtos são submetidos.

Fomentar a pesquisa em busca de materiais verdadeiramente biodegradáveis e compostáveis

Atualmente, existem diversas linhas de pesquisa que procuram encontrar uma solução para o problema do lixo plástico. Desde o uso de polímeros de origem vegetal na composição de plásticos até a descoberta de bactérias que se alimentam de plástico, há diversas soluções possíveis para tornar o plástico biodegradável.

Entretanto, nenhuma delas ainda é reproduzível em escala. Por isso, é necessário investimento e vontade institucional para que o desenvolvimento científico continue seu progresso nesses estudos. Estamos no caminho certo, e quanto mais esforços dispusermos, quanto antes teremos não uma, mas várias soluções aplicáveis em larga escala

Implantar a Logística Reversa

Para termos o plástico na economia circular, um dos aspectos mais importantes é a Logística Reversa. Desde pensar em como embalagens e produtos podem ser reutilizados após o esgotamento do seu uso primário, até meios de se rastrear esses produtos e materiais para garantir que não irão terminar em aterros sanitários sem sua devida coleta, triagem e reciclagem.

A Logística Reversa, assim como a maioria dos aspectos da economia circular do plástico, dependerá de esforços dos diversos agentes das indústrias, de regulamentação de governos e da atuação e fiscalização da sociedade para se tornar realidade.

Mudança de comportamento do consumidor

A transformação digital de nossa sociedade, em curso desde meados dos anos 90 do século passado, é um fator determinante para explicar a mudança de comportamento dos consumidores em geral. O acesso rápido e quase infinito à informação tornou a geração que cresceu, e a que já nasceu, em meio a essa revolução, cientes de seu impacto no mundo. Sabemos que os hábitos de produção e consumo do século XX não podem ser reproduzidos de forma sustentável a médio e longo prazo. 

Por isso, devemos buscar soluções e exigir mudanças estruturais para combater as principais preocupações de hoje, como as mudanças climáticas, a degradação ambiental e as desigualdades sociais.

O ativismo digital dos consumidores demanda um esforço de fabricantes e marcas em não só parecerem, mas se tornarem sustentáveis de fato. Algumas vezes, porém, a opinião pública é guiada por soluções apresentadas sob um único viés. 

Proibir nem sempre é a melhor solução

A proibição do uso de sacolas plásticas e outros materiais descartáveis em lugares públicos, por exemplo, foi apontada como solução quando essa não é melhor saída. Sob uma forte campanha negativa do uso de canudos, copos e outros materiais descartáveis, alguns governos decidiram proibir seu uso.

Isso foi uma demonstração clara de uma solução rápida, porém superficial, para um problema muito mais complexo, que dependerá de diálogo mais aprofundados entre academia, sociedade, indústria e governos para ser resolvido.

Os consumidores tendem a adquirir produtos e serviços que se mostrem preocupados com questões ambientais, e o mercado parece já ter entendido isso. Outro aspecto é a troca de propriedade por experiências. Diferente de seus pais e avós, as gerações mais novas não buscam mais adquirir produtos, mas sim usufruir de suas benesses por um tempo determinado. Esse é mais um paradigma com que a indústria terá que lidar, pois, caberá a ela dar a destinação final dos bens, após o fim do seu ciclo de vida. Assim, é necessário a buscar formas mais sustentáveis de negócio.

Desafios para o futuro

Muitos são os desafios que se apresentam para o futuro próximo. A indústria do plástico está no centro da discussão de como se apresentarão e se comportarão os mercados consumidores daqui a quinze, trinta, cinquenta anos. Muito ainda precisa ser discutido, e um melhor entendimento do que se trata a Economia Circular é necessário, por todas as partes envolvidas. O que sabemos, de antemão, é que soluções existem, e que temos que implementá-las o mais breve possível, se quisermos deixar um planeta minimamente habitável para as gerações futuras.