Desde a década de 90, é possível observar um aumento nas inovações em tecnologia de plástico relevantes do ponto de vista ambiental, com destaque para as patenteadas para reciclagem.

No entanto, essas propostas estão concentradas apenas em alguns países, como China, Japão, Coréia, Estados Unidos, Alemanha e França. Para que ocorra uma mudança significativa no reaproveitamento do plástico, torna-se imprescindível que esses projetos aconteçam em escala mundial e especialmente nos países em que o descarte de plástico ainda é um problema ambiental preocupante.

Entre as opções disponíveis, a reciclagem química é uma alternativa em destaque, por produzir plásticos mais puros e de melhor qualidade que os obtidos por meio da reciclagem mecânica.

Como funciona a reciclagem química?

A reciclagem química envolve processos que quebram os polímeros residuais em matéria-prima para a produção de combustíveis ou de novos polímeros. Esse tipo de reaproveitamento depende da triagem e do pré-tratamento do plástico recolhido para obter um bom resultado.

Pode ser dividida em duas categorias: a primeira transforma o plástico em combustível via termólise, o que requer altíssimas temperaturas e consome muita energia. Esse motivo, além do foco na produção de combustíveis, torna o uso do termo “reciclagem” para os processos de termólise um pouco controverso.

A segunda categoria de tecnologia de reciclagem química é chamada de solvólise ou “plástico para plástico”. Nesse processo, os resíduos são convertidos em monômeros, que servem como matéria-prima para a produção de novos polímeros.

Esse tipo de reciclagem é capaz de reduzir potencialmente a demanda por novos polímeros virgens, além de produzir polímeros idênticos aos originais, uma das principais dificuldades encontradas na reciclagem mecânica.

Por que a reciclagem química ainda não é a solução definitiva?

As tecnologias “plástico para plástico” estão ainda em suas fases iniciais e são menos desenvolvidas que as técnicas “plástico para combustível”. Esse aspecto é compreensível, afinal, a solvólise só despertou interesse recentemente e ainda não há dados consistentes sobre patentes nessa seara.

No entanto, há expectativas de crescimento da capacidade global de plantas piloto e de demonstração da tecnologia “plástico para plástico”, com o processamento esperado de 140 kton de resíduos por ano em 2022.

Estudos mais aprofundados sobre a técnica ainda estão em andamento. Por isso, ainda não há clareza em relação ao impacto ambiental do método se aplicado em escala comercial.

Além disso, é preciso ter cuidado com o entusiasmo provocado pela reciclagem química. Esse avanço não deve abrir espaço para a banalização do uso único do plástico, no lugar da conscientização sobre o uso e a prevenção de desperdício do material.

E quais outras opções que podem ser consideradas?

Além da reciclagem química “plástico para plástico”, há outras inovações emergentes para a solução de problemas ambientais provocados pelo uso indiscriminado do plástico. Entre elas, podemos destacar:

  • Machine learning: pode ser aplicada na identificação e na classificação dos tipos de plástico, facilitando a reciclagem desses materiais e aumentando a qualidade dos itens produzidos a partir da matéria-prima reaproveitada.
  • Blockchain: O blockchain é uma tecnologia que permite o rastreio e a verificação de informações. Com ela, os fabricantes de plástico conseguem acessar os dados que precisam sobre determinado material, quebrando assim uma das maiores barreiras para a aceitação do produto reciclado no mercado.
  • Sistemas autônomos de remoção de plástico em rios e oceanos: conhecido como “The Ocean Collector Interceptor”, este sistema tem barreiras que direcionam os resíduos plásticos flutuantes para uma embarcação responsável pela coleta dos detritos. A embarcação é movida à energia solar, trabalha de maneira autônoma e tem capacidade de armazenamento de até 50 metros cúbicos de lixo.
  • Novos modelos de entrega: a inovação vai além de novos modelos de tecnologia. Um bom exemplo de inovação organizacional é a Loop, que entrega encomendas em recipientes reutilizáveis que serão posteriormente recolhidos, limpos e reabastecidos, reduzindo assim a pegada ambiental.

Conclusão

Com tanta tecnologia à disposição, surge uma pergunta: qual método deve ser desenvolvido e ampliado para resolver o problema causado pelo descarte incorreto dos plásticos?

A solução ideal pode variar entre um país e outro, dependendo do tipo de dificuldade enfrentada no local. Nos lugares que possuem estações de tratamento de águas residuais, a implantação massiva de sistemas de filtragem pode não ser a opção mais interessante, porém, é uma alternativa que pode funcionar em outros países.

Por outro lado, a captura de resíduos plásticos em rios e oceanos é uma boa opção em locais que não dão tanta atenção à administração dos resíduos.

A inovação em produtos, processos e modelos de negócio é essencial, mas apenas parte da resposta. Para priorizar tecnologias que proporcionem a economia circular no uso do plástico e incentivar consumidores e empreendedores, é necessário adotar um conjunto abrangente de políticas, incluindo regulamentações, educação e informação, para que as mudanças comportamentais sejam impulsionadas.

Essas iniciativas só terão espaço se houver uma forte demanda do mercado pelo plástico reaproveitado.

Fonte: https://www.oecd-ilibrary.org/sites/bb1ff6fa-en/index.html?itemId=/content/component/bb1ff6fa-en