nova economia do plastico

A sustentabilidade depende de novas políticas que priorizem a reutilização de materiais importantes para a cadeia de consumo. No entanto, essa mudança depende de mudanças estruturais para que se torne realidade.

A Nova Economia do Plástico traz uma ideia bastante interessante: a de que o plástico nunca vira lixo, e que pode ser reintroduzido da economia com valor técnico ou biológico.

Esse propósito está totalmente alinhado aos princípios da economia circular, com o objetivo de implementar uma política mais sustentável de uso, por meio da criação de um sistema de pós-uso do plástico.

A partir da implementação dessa nova economia, é possível reduzir drasticamente o descarte de resíduos plásticos na natureza.

Mesmo com os designs dos produtos atuais e as tecnologias disponíveis, essas ambições podem ser apenas parcialmente alcançadas. Um estudo recente descobriu que apenas 53% das embalagens plásticas produzidas na Europa podem ser recicladas de forma econômica e ambientalmente eficaz.

Apesar dessa realidade, a mensagem é clara: há diversas oportunidades a serem aproveitadas, e mesmo que hoje a Nova Economia do Plástico não seja totalmente viável, ela oferece um objetivo atraente para a cadeia de valor global e para os governos inovarem de forma colaborativa.

Diante dos benefícios que o plástico oferece e, principalmente, sua usabilidade como embalagem, é difícil pensar em abandonar completamente o material. No entanto, é possível pensar em soluções que reduzam o descarte incorreto, por meio do ciclo contínuo do plástico já produzido.

Criando uma economia eficiente pós-uso do plástico

Estabelecer o ciclo de reúso do material é a prioridade da Nova Economia do Plástico. Não só é crucial capturar mais valor material e aumentar a produtividade dos recursos, como também fornecer um incentivo econômico direto para que o material utilizado seja introduzido no ciclo de reutilização, em vez de descartado indevidamente.

Para alcançar esse objetivo, é necessário trabalhar alguns pontos importantes.

Aumentar a qualidade e a aceitação da reciclagem

O desenvolvimento de um protocolo que defina a direção e a convergência dos materiais e dos sistemas pós-uso dos plásticos pode melhorar substancialmente a coleta, a triagem e o reprocessamento, ao mesmo tempo que permita a inovação contínua.

Outro aspecto importante para estimular a qualidade e a aceitação de itens reciclados é o desenvolvimento de mercados secundários para materiais reciclados, o que pode ser feito por meio de parcerias com indústrias e intervenções políticas.

Além disso, vale focar nas oportunidades de inovação que carreguem potencial de expansão, como investimento em materiais novos ou melhorados e tecnologias de reprocessamento.

Ampliar a adoção de embalagens recicláveis

Para aumentar o alcance do uso de embalagens recicláveis, a relação B2B deve ser priorizada, com parcerias entre as empresas visando esse fornecimento. No entanto, essa ampliação também deve ser estendida ao consumidor, com a oferta de sacolas plásticas reutilizáveis, por exemplo.

Escalar a adoção de embalagens plásticas compostáveis para determinadas aplicações

Algumas opções para aumentar a oferta e o uso de embalagens compostáveis são as sacolas de plástico biodegradáveis, como os sacos para lixo orgânico ou para embalar comida em eventos, empresas de fast food e outros sistemas fechados. Para esses usos, é interessante contar com um material cuja combinação com os resíduos de alimentos pode ser aproveitada como nutrientes em contato com o solo.

Para que a Nova Economia do Plástico tenha realmente um alcance global, as iniciativas devem ser colaborativas e é preciso ter uma visão sistêmica, envolvendo indústrias, governos e ONGs.

Isso porque cada um desses agentes tem um papel importante para que essa nova economia aconteça. Os produtores e consumidores determinam quais materiais serão colocados no mercado e os governos podem instalar infraestruturas para reaproveitamento pós-uso do plástico em diversos pontos.

Enquanto isso, as ONGs podem cuidar das considerações sociais e ambientais do processo. Também há espaço para a formação de novas cooperativas de reciclagem que envolvam coleta, seleção e reprocessamento dos materiais, gerando empregos e novas matérias-primas.

A colaboração entre todos esses agentes é necessária para superar a fragmentação, a falta de alinhamento entre inovação e design pós-uso, além de outros desafios que precisam ser resolvidos para a implementação da Nova Economia do Plástico.

Fonte: https://ellenmacarthurfoundation.org/the-new-plastics-economy-rethinking-the-future-of-plastics