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Algumas ações podem ser adotadas para tornar o mercado mais favorável ao plástico reciclado, aumentando as possibilidades e a aceitação do material

O princípio dos 3Rs é usado como diretriz de ações sustentáveis. Ele prevê a aplicação de ações em relação aos resíduos, segundo a ordem de importância de cada uma: reduzir – reutilizar – reciclar. Isso indica que, antes de cogitar maneiras de reutilizar e reciclar o plástico, é importante pensar na redução desse material.

Isso não significa eliminar totalmente a produção e o uso de plástico. Afinal, trata-se de uma matéria-prima importante para a indústria e o consumo atual. Por mais que existam movimentos que divulguem a substituição de materiais feitos de plástico, nem sempre essa é a melhor alternativa quando falamos de sustentabilidade.

Algumas das soluções para o problema são a otimização do design do produto e a transição de plásticos de uso único para outros mais duráveis, que possibilitem uma vida útil mais longa. Com isso, é possível reduzir a utilização de energia por ciclo de consumo, diminuindo também o impacto ambiental e aproveitando todos os benefícios que a embalagem plástica oferece.

Ao fim da vida útil, é possível reciclar esses plásticos para que essa matéria prima seja novamente aproveitada para outros fins, aplicando o conceito de economia circular na utilização do material.

Estruturas de coleta seletiva diferem entre os países

A coleta seletiva ajuda a manter os resíduos plásticos fora de aterros, rios, mares e outros pontos críticos de acúmulo de lixo. 

Com a reciclagem, a coleta desses materiais é incentivada, com a valorização dos resíduos dentro de uma cadeia de consumo. O plástico descartado vira matéria-prima para a produção de plásticos secundários, que permitem a fabricação de novas embalagens e utilitários com uma pegada de carbono menor.

Mas, para que essa transformação e reaproveitamento aconteçam, é necessária uma estrutura que precisa de investimentos em coleta, separação e transporte. 

A organização dessas atividades tem diferenças estruturais entre os países, sendo que os de alta renda contam com um sistema formal de coleta seletiva organizado pelo governo. Em contrapartida, nos países de baixa renda, a coleta seletiva e a triagem de materiais são realizadas por um setor informal, que reúne catadores e cooperativas de reciclagem.

Muitas vezes, essas iniciativas não governamentais não conseguem adotar processos que realmente consigam reduzir os impactos ao meio ambiente.

Reciclagem química e mecânica: características e dificuldades

Atualmente, a reciclagem mecânica de PET é a mais viável em termos comerciais, A reciclagem mecânica de PP (polipropileno) e de PVC também ocorrem, mas em volume menor. 

Em comparação com outros processos, o reaproveitamento do plástico por meio de processos mecânicos requer investimento baixo e tem poucas barreiras para a entrada em novas empresas. No entanto, esse processo é capaz de manter a qualidade apenas por um número limitado de ciclos. Esse plástico reciclado de menor qualidade é usado em aplicações de menor valor, processo conhecido como downcycling.

Com avanços em design, separação e pré-tratamento, é possível melhorar o produto final do processo mecânico de reciclagem, permitindo a geração de novos plásticos de alta qualidade.

Já a reciclagem química contribui para o aumento das oportunidades de reaproveitamento do material, abrangendo outras resinas e complementando a reciclagem mecânica. Os processos químicos são capazes de produzir plásticos de qualidade elevada, capazes de atender aos altos padrões exigidos nas embalagens de alimentos, por exemplo.

Porém, as instalações para reciclagem química construídas até o presente momento estão ainda em fase piloto, tendo como principal barreira a viabilidade econômica.

Além disso, por ser um processo de alta intensidade energética e que gera subprodutos tóxicos, a eficiência dessa opção como solução ambiental é questionada.

Também há a opção de transformar o plástico em combustível, embora isso não seja considerado reciclagem em alguns países.

Nas próximas décadas, há a possibilidade de aumento dos investimentos em reciclagem química, devido ao seu potencial dentro dos futuros mercados de reciclagem.

Como está o mercado para o plástico secundário?

A produção de plásticos secundários mais que quadruplicou nas últimas duas décadas, indo de 6,7 megatoneladas em 2000 para 29,1 megatoneladas em 2019. Mas ainda é pequena comparada à produção primária de plástico. Esse é um indicativo de que ainda não há mercado suficiente que crie demanda para o plástico secundário.

Há ainda outras barreiras que impedem o desenvolvimento do mercado para o plástico secundário. 

Uma delas é que o material tem sido usado por fábricas como um substituto para o plástico primário, com seus preços relacionados a ele, mas na verdade os custos de produção do material reciclado estão vinculados a outras variáveis. 

Enquanto o plástico secundário está atrelado à coleta, seleção e processamento de resíduos, o plástico primário está ligado ao preço do petróleo, deixando o mercado secundário exposto às flutuações do mercado primário.

Além disso, as empresas de reciclagem produzem menos material, têm menos capital e menor volume de vendas, fatores que as tornam menos resilientes.

Outro obstáculo é a baixa qualidade do resíduo plástico coletado. Uma grande variedade de polímeros e aditivos são usados na produção de embalagens e quando não separados adequadamente, reduzem a qualidade do material.

Como promover o uso do plástico reciclado?

Algumas ações são capazes de incentivar a aplicação do plástico secundário, proporcionando um ambiente mais favorável para o reaproveitamento. São elas:

  • implantação de padrões de qualidade;
  • criação de fundos de pesquisa e desenvolvimento de tecnologias capazes de reduzir os custos de reciclagem;
  • proibição da adição de substâncias perigosas nos materiais;
  • impostos sobre aterros e incinerações.

O mercado europeu de PET sugere que ferramentas políticas e o compromisso da indústria podem criar uma demanda específica por polímeros com preços menos atrelados aos plásticos primários, com valores que reflitam os custos envolvidos. Isso torna a demanda menos volátil e amplia o espaço para reciclagem e oferta de material secundário.

Além disso, o interesse de empreendedores e investidores pelo uso circular do plástico também está aumentando. Houve nos últimos anos o surgimento de novas patentes com foco na prevenção e reciclagem de resíduos ― cerca de metade das inovações plásticas patenteadas em 2017 tinham esse objetivo. 

Fonte: https://www.oecd-ilibrary.org/sites/ba55f08e-en/index.html?itemId=/content/component/ba55f08e-en

https://www.oecd-ilibrary.org/sites/ba55f08e-en/index.html?itemId=/content/component/ba55f08e-en